A Reforma da Previdência golpista é também uma forma de violentar as mulheres

 

A Reforma da Previdência formulada pelo governo golpista de Michel Temer é uma violência contra as mulheres, porque ignora as diferenças culturais existentes no país. De acordo com o texto da Reforma — já enviada ao Congresso em forma de PEC, a 287 — a idade mínima para a aposentadoria será igualada entre homens e mulheres, que só poderão deixar de trabalhar aos 65 anos. Para isso, porém, terão de ter contribuído para o INSS por, no mínimo, 25 anos.

Este mês, o IBGE divulgou dados sobre a dupla jornada das mulheres no Brasil. Em média, elas trabalham cinco horas a mais do que os homens, semanalmente: são 55,1 horas delas contra 50,5 horas deles. A jornada inclui o trabalho fora de casa e as tarefas domésticas. Dentro de casa, as mulheres trabalham 21 horas e 12 minutos, mais do que o dobro do tempo que os homens despendem em serviços como limpar a casa, cuidar dos filhos, cozinhar e outras atividades do lar.

Além de trabalhar mais, os dados mostram que as mulheres brasileiras são mais escolarizadas do que os homens. Mesmo assim, recebem, em média, 76% do valor do salário deles. Os números acima mostram o que os movimentos de mulheres chamam de discriminação de gênero: elas recebem menos pelo simples fato de serem mulheres. E também porque é tido como delas o papel de cuidadora dos filhos.

O Censo da Diversidade de 2014, demandado pelos movimentos sindicais e realizado pela Febraban, mostrou que as bancárias recebem menos promoções do que os homens da categoria durante a trajetória profissional. A pesquisa constatou que 31,7% dos homens recebem mais de três promoções contra 19,9% das mulheres durante a carreira. A relação também é desproporcional quando falamos de cargos de gerência: eles ocupam 22,5%, enquanto elas apenas 14,8% das vagas — dentro do universo total de cargos.

Quando o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região cobra da Fenaban mais igualdade entre os gêneros, a entidade patronal costuma argumentar que as mulheres ascendem menos na carreira, porque precisam cuidar dos filhos.

O governo golpista — composto em sua grande maioria por homens brancos — pretende continuar legitimando este tipo de violência ao desconsiderar que você, mulher, já trabalha muito mais que o homem e recebe menos do que ele. É transformar você em burro de carga e fazer com que trabalhe até morrer — sem, porém, reconhecer o esforço feito durante toda a vida.

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