Quem paga plano de saúde esquece (ou não sabe?) que usa — e muito — o SUS

 

É verdade que as longas filas, as macas pelo corredores de hospitais, fazem, sim, parte da realidade do Sistema Único de Saúde, que recebe apenas 4% do orçamento geral da União para cuidar da saúde de mais de 200 milhões de pessoas. Mas o SUS não é somente assistência médico-hospitalar. Você usa muito o Sistema. Todo dia, mas talvez ainda não saiba ou não tenha percebido.

Se hoje você tem muitas opções de locais seguros para se alimentar na hora do almoço é por conta do trabalho da Vigilância Sanitária, um dos “braços” do SUS. Ela é responsável por controlar a qualidade de produtos e a higiene dos estabelecimentos. Mesmo antes de chegar aos restaurantes, bares, supermercados e padarias, a Vigilância monitora a água que consumimos (a que cai da torneira ou a que compramos já envasada), as matérias-primas e as condições de fabricação dos alimentos.

Além disso, o SUS é responsável, por meio da vacinação, pela erradicação de algumas doenças da infância e pela redução da mortalidade infantil, além da diminuição dos casos de malária, tuberculose e hanseníase. O Sistema também atua no combate de epidemias, como a Gripe A (ou suína), a dengue e o vírus zika. E tudo isso não é direito apenas de alguns, porque o SUS é de e para toda a população brasileira. Mas depois da PEC 55, o que restará dele?

A PEC 55, aprovada pelo Senado em dezembro deste ano, vai congelar os investimentos em saúde no Brasil por 20 anos. Segundo estudos do IPEA, neste ano, foram investidos cerca de R$ 519 por pessoa em recursos públicos federais com saúde. Em 2036, por causa da PEC 55, a estimativa é de este valor diminuir para R$ 411, já considerando o crescimento populacional dos próximos 20 anos. Caso a PEC não tivesse sido aprovada e as regras atuais continuassem valendo, a quantia seria de R$ 822.

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