“Branco no Brasil” não é humor. É uma sátira crítica sobre racismo

A sátira “Branco no Brasil” que faz parte do primeiro episódio da nova temporada do programa “Tá no ar” disponibilizada pela Globo Play, vazou na página Pensador Anônimo e está dando o que falar nas redes sociais hoje. Isso mostra que provavelmente o objetivo de quem fez a sátira (que é diferente de piada / humor, vale googar) tenha sido alcançado.

Precisamos falar sobre racismo. Sobre os diversos tipos de racismo, inclusive o racismo institucional, abordado no vídeo. Para quem faz parte da população branca, cabe o discernimento de pensar sobre o tema, fazer a autocrítica, trabalhar para mudar a realidade ao lado, sair da zona de conforto e achar que o mundo funciona da mesma maneira com que você leva a sua vida. Se “classe média sofre”, imagine sua casa sem água corrente na torneira ou ainda pior, imagine-se sem um teto. É só olhar ao redor e ver que não é bem assim. São mais de 7 bilhões de pessoas no mundo, mais de 200 milhões brasileiras (os) e a maioria delas certamente não vive do mesmo jeito que você.

Confira alguns dados divulgados pelo Direitos das Minorias, departamento da Organização das Nações Unidas (ONU) que, em 2013, avaliou 20 anos de iniciativas para reduzir as disparidades vividas pelos negros no Brasil, mas que, como você verá, abaixo, fracassaram. E isso é só uma amostra:

– das 16,2 milhões de pessoas vivendo em extrema pobreza no país, 70,8% são negras;

– o salário médio dos negros no Brasil é 2,4 vezes mais baixo que o dos brancos;

– 80% dos analfabetos brasileiros são negros;

– dos 56 mil homicídios cometidos no Brasil em 2013, 30 mil tiveram como vítimas pessoas de 15 a 29 anos. Dessas, 77% eram garotos negros;.

– só no Rio de Janeiro, os negros são 80% das vítimas de homicídio com intervenção policial;

– estima-se que 75% da população carcerária no Brasil seja de negros. Estudos ainda mostram que, se condenados, os negros são mais sujeitos à prisão do que os brancos;

o assassinato de mulheres negras foi 66% maior do que o de mulheres brancas no ano em que os dados foram coletados.

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