Pacote de Maldades de Temer consegue ser mais cruel com as mulheres negras

 

1-vnqrtBegcc2evKmGC-1ARg.png

 

Além de atacar direitos fundamentais, as políticas de Temer e seus ministros possuem um caráter extremamente racista e misógino. A Emenda Constitucional que impôs um teto para os gastos públicos durante 20 anos (que durante a tramitação ficou conhecida como PEC da Morte) e as propostas de Reforma da Previdência e da Reforma Trabalhista são cruéis para todos os trabalhadores, mas atingem muito mais trabalhadoras negras. Mais da metade da população brasileira (54%) é de pretos ou pardos (grupos agregados na definição de negros). No Brasil, entre os mais pobres, três em cada quatro são pessoas negras, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De cada dez brasileiros, três são mulheres negras.

Em 2014, de acordo com a pesquisa Mulheres e trabalho do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 39,1% das mulheres negras ocupavam postos de trabalho precários. O trabalho precário é definido pelo nível de incerteza e de imprevisibilidade e também quando os riscos da atividade são assumidos muito mais pelos trabalhadores do que pelos empregadores. O tipo de situação que a nossa sociedade encara com naturalidade e que será legalizado pela Reforma Trabalhista, caso ela seja aprovada. Se as mulheres negras ocupam os piores postos de trabalho estão também mais expostas à exploração e a ter menos folgas semanais e férias, ou seja, menos tempo de descanso. Em quais condições vocês acham que essas mulheres chegarão aos 65 anos, idade mínima prevista para a aposentadoria, de acordo com o projeto de Reforma da Previdência? Será que chegam até lá? E com o desmonte da Previdência Social e da Saúde, como elas ficarão se sofrerem acidentes ou precisarem de cirurgias, sem acesso ao SUS e ao auxílio-doença?

A precariedade na vida das mulheres negras é uma constante. Elas trabalham em funções que exigem mais força física, são mal remuneradas e quando voltam para casa, deparam-se com ainda mais precariedade. De acordo com a Síntese de Indicadores Sociais — uma análise das condições de vida da população brasileira do IBGE, pessoas pretas e pardas têm mais probabilidade de viver em lares em condições precárias, sem acesso simultâneo a água, esgoto e coleta de lixo, em relação à população que se declara branca. Com os investimentos sociais congelados em 20 anos pela PEC 55, vocês acham que esse cenário tende a melhorar?

A PEC também vai estagnar os investimentos em saúde por duas décadas. A população negra é a principal usuária do Sistema Único de Saúde (SUS). As mulheres pretas, por exemplo, são as que mais sofrem com mortalidade materna e violência obstétrica, aquela cometida contra a mulher antes, durante e/ou após o parto. Elas compõem 60% das vítimas da mortalidade materna no Brasil, segundo dados da campanha “SUS Sem Racismo”.

Na educação, os negros são menos escolarizados do que os brancos. Em 2015, segundo o IBGE, somente 12,8% dessa população chegou ao nível superior, enquanto os brancos eram 26,5% do total no mesmo ano. De acordo com o estudo, a dificuldade de os negros conseguirem entrar em uma faculdade reflete as altas taxas de evasão escolar ainda no ensino fundamental, por causa dos altos níveis de repetência ao longo da vida. O desempenho na escola é reflexo de todas os problemas que já comentamos.

Já deu para perceber como as Emendas e Reformas do governo Temer possuem um viés extremamente racista? Movimentos negros falam que este governo ilegítimo, formado exclusivamente por homens brancos, é uma nova etapa do processo de extermínio da população negra, por manter os privilégios e continuar a excluir e manter a ordem racista e patriarcal.

Deixe uma resposta