6 mitos da desigualdade social

 

 

1-6nN8qzRhRcWxFvCzaGmbHQ.pngVocê provavelmente já ouviu falar muito sobre desigualdade social entre ricos e pobres e como o mercado e o capitalismo contribuíram para a concentração de renda para poucos e a miséria, de muitos.Além da segregação social em que vivemos. O mercado também é responsável por algumas frases de efeito consideradas verdades absolutas. Mas será que é tudo verdade mesmo?

A gente reuniu 6 mitos sobre a desigualdade social e desmistificamos tudo para você, leia na íntegra abaixo:

1 — O mercado está sempre certo e o papel dos governos deve ser minimizado

Dizer que o mercado é mais eficiente que o governo é um mantra que de tanto ser repetido transformou-se num dogma. Na verdade, esta é uma ideia bastante antiga, defendida por Adam Smith, no livro “A Riqueza das Nações”, de 1776, SÉCULO DEZOITO, tá bom pra vocês? E até hoje tem gente que repete isso como se fosse a verdade absoluta, em pleno século 21.

Nem o mercado nem o governo são perfeitos. É só lembrar quantas empresas são fechadas a cada ano e os investimentos mal planejados de muitos governos.

Mas, segundo o relatório da Oxfam, não existe confirmação de que o mercado é melhor do que o governo na organização da sociedade.

2- Nas empresas, o lucro e o retorno para os acionistas deve estar acima de tudo

Remunerar o investimento de quem comprou ações de uma empresa é justo, mas colocar o lucro acima de tudo não é.

Pense bem. Sem gente não existe empresa. Pegue toda a estrutura de uma empresa e retire as pessoas. Sobram apenas “coisas”. Sem gente não existe atendimento, não existe produção ou prestação de serviço, não existe sequer quem dê uma “cara” aos negócios.

É justo, então, reduzir os custos com esses funcionários e os seus direitos, o que geralmente significa condições de trabalho precárias que os leva a adoecer?

Sem contar as constantes tentativas para a redução dos custos com impostos. O dinheiro que não é pago ao governo faz falta na hora de realizar investimentos (em saúde, educação, transportes e todo o resto), prejudicando mais uma vez os trabalhadores, inclusive aqueles que trabalham na empresa que deixou de pagar seus impostos.

Colocar o lucro para o acionista acima de tudo só não prejudica quem recebe, em detrimento dos trabalhadores, fornecedores, comunidades e, muitas vezes, do meio ambiente.

3 — A riqueza individual extrema é sinal de sucesso

Embora muita gente acredite que é possível chegar ao topo da pirâmide com trabalho duro e um certo talento, a verdade é que grande parte das pessoas mais ricas do mundo herdou boa parte de suas fortunas. Outra parte considerável foi agraciada por algum tipo de favorecimento e não por suas qualificações. Portanto, não são assim, exemplos de “sucesso pessoal”.

Além do mais, o relatório da Oxfam diz que a concentração de renda nas mãos de poucos indivíduos é “economicamente ineficiente, politicamente corrosiva e prejudicial para o nosso progresso coletivo”.

A alta concentração de renda prejudica a concorrência entre as empresas, tende a corromper a política e, como os donos das grandes fortunas vivem outra realidade, prejudicar os avanços sociais.

Por mais estranho que possa parecer para alguns, países menos desiguais crescem mais e por mais tempo. Quem afirma isso é o Fundo Monetário Internacional (FMI), cujos dados mostram também que países com muitos bilionários crescem mais lentamente.

4 — O crescimento do PIB deve ser principal objetivo econômico

O Produto Interno Bruto (PIB) tornou-se o indicador econômico mais importante para os países, apesar de ser considerado “problemático” pela revista The Economist.

Isso porque o PIB não leva em consideração a distribuição de renda entre ricos e pobres, os trabalhos doméstico e voluntário, os serviços gratuitos distribuídos pela internet e os danos ao meio ambiente.

Se um país, por exemplo, transformar todas as suas árvores em madeira num determinado ano, registrará aumento do PIB, mas as consequências serão desastrosas nos anos seguintes.

Quando foi criado, o objetivo do PIB era mensurar a capacidade de produção da economia e não ser a diretriz para a formulação de políticas econômicas.

5 — Nosso modelo econômico é neutro em relação ao gênero

Uma das “verdades” do modelo econômico sob o qual vivemos é a de que não existem diferenças de classe, raça e gênero. Não é difícil notar que tem alguma coisa errada nessa história.

Na sala de aula de uma universidade, quantos alunos são negros? Eles deveriam ser ao menos 50% dos estudantes para representar a proporção na sociedade brasileira.

Agora pense na composição da diretoria das maiores empresas que atuam no País. É fácil ver que as mulheres estão longe de ocupar metade desses cargos, embora sejam mais de 50% da população do Brasil.

No que diz respeito à classe, quantos médicos, advogados e juízes vindos das camadas sociais mais pobres você conhece? Eles são raros e, para “chegar lá” tiveram de fazer um esforço muitas vezes sobre-humano.

E esse conjunto de crenças é ainda mais avassalador porque leva mulheres, negros e pobres a acreditarem que tudo, mas tudo mesmo depende apenas de seus esforços, sem levar em conta as condições de vida e as oportunidades que cada um teve .

6 — Os recursos do nosso planeta são ilimitados

A gente até sabe que os recursos do planeta Terra são limitados, mas no dia a dia a gente age como se tecidos, plásticos e papel brotassem do chão. A gente até lamenta quando um animal entra em extinção, mas não consegue fazer a conexão entre o nosso consumo e suas consequências.

O pior é que quem mais sofre com as mudanças climáticas e a degradação do meio ambiente é a população mais pobre e vulnerável.

Segundo estimativas da Oxfam, os 10% mais ricos do mundo são responsáveis por metade das emissões de gases em todo planeta, mas obviamente não são afetados pelos resultados dessas emissões.

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