Karoshi: quando o corpo não aguenta o excesso de trabalho

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Jornadas extenuantes de trabalho são responsáveis por tantas mortes súbitas de trabalhadores no Japão que tem até um termo foi criado para este acontecimento: karoshi, que literalmente significa morte por excesso de trabalho. Em entrevista ao portal Repórter Brasil, o presidente da Sociedade Japonesa de Pesquisa em Karoshi, Koji Morioka, explica que um dos principais motivadores dessa realidade são as leis trabalhistas japonesas. Na terra do sol nascente, reina o tal do “negociado sobre o legislado” em relação ao limite legal de horas trabalhadas. No país que geralmente consideramos tão zen e equilibrado, alguns trabalhadores são submetidos a condições tão estressantes no trabalho que cometem suicídio, ato conhecido como karojisatsu.

Pois é exatamente a prevalência do “negociado sobre o legislado” que o governo Temer quer fazer valer no País e por isso trabalha para aprovar a Reforma Trabalhista. Os golpistas pretendem deixar que empregados — por meio de representantes locais ou de seus sindicatos — e patrões definam por meio de acordo o que pode e o que não pode — inclusive no que diz respeito ao número de horas trabalhadas por dia — mesmo que isso atropele a CLT e represente uma grande perda na qualidade de vida dos trabalhadores. Afinal, como lembra Morioka, “nas relações dentro de uma empresa, o capital é sempre mais forte do que o trabalho”.

De acordo com o estudo “Sindicatos no Brasil — o que esperar no futuro próximo?”, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), há 10,8 mil sindicatos oficialmente registrados em território nacional, mas muitos deles têm poucas condições de promover novas formas de regulação do trabalho. Segundo o estudo do IPEA, 16,2% dos trabalhadores são filiados a sindicatos no País, o que corresponde a 17,3 milhões de pessoas. No entanto, aponta a pesquisa, a maioria desses sindicatos tem poucos filiados e está geograficamente restrita, o que significa que a maior parte dos trabalhadores brasileiros não está ligada a uma entidade com reais condições de representá-los nem de fazer frente à pressão dos empregadores.

A reforma trabalhista já está tramitando na Câmara como o Projeto de Lei (PL) 6787/2016 e pretende levar você ao limite: jornada de trabalho diária de 12 horas, mas que pode ser ainda mais longa se o acordo coletivo entender que o trabalho remoto, ou seja, feito de casa, não faz parte das horas da jornada diária, por exemplo. Querem que você trabalhe mais e descanse menos. Também está previsto no texto do PL a redução do intervalo de almoço para 30 minutos. Além disso, as férias de 30 dias seguidos se tornarão um sonho distante, já que a reforma prevê o parcelamento em até 3 vezes deste período de descanso.

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