Temer volta ao passado e sanciona Reforma do Ensino Médio

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“Estamos voltando a um passado extremamente útil”. Foi dessa forma que Michel Temer se referiu à medida provisória 746, que trata da Reforma do Ensino Médio, durante sua participação no programa “Roda Viva”, da TV Cultura, em novembro do ano passado.

Pois hoje, este caráter de “utilidade” da educação foi sancionado por Temer. E foi feita de forma absolutamente antidemocrática, sem diálogo com pais, professores e alunos. As críticas são muitas, principalmente porque, entre outras coisas, a medida deixa nas mãos das escolas a escolha de como ocupar 40% da carga horária.

Além disso, é também contraditória, pois prevê, progressivamente, o aumento do número de horas em sala de aula para até 1.400, contra as atuais 800 horas. O objetivo é se chegar ao ensino integral. Mas, para que isso aconteça, são necessários investimentos, certo? E de onde virão os recursos, já que os investimentos em educação estão congelados por 20 anos após a promulgação da Emenda Constitucional 95. Isso a lei não diz.

Outra questão é que as matérias serão obrigatórias apenas no primeiro ano e na metade do segundo, com exceção de português, matemática e inglês. No restante do tempo, os alunos poderão escolher disciplinas nas áreas de seu interesse, que são: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e ensino técnico. A ideia parece boa, mas existe um problema aí. As escolas não são obrigadas a ofertar as cinco áreas de conhecimento.

Ou seja, os alunos podem não ter acesso ao tipo de ensino que desejam porque sua escola não oferece todas as opções e pode também não haver escolas por perto que disponibilizem as matérias que ele quer estudar.

A reforma também não fala da formação dos professores, uma questão central da educação, nem na redução do número de alunos por sala, outro tema fundamental no ensino.

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