Brasil é o país que mais mata travestis, mulheres transexuais e homens trans

 

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O Dia Internacional de Combate à Homofobia teve origem em 17 de maio de 1990, quando a homossexualidade foi retirada do Código Internacional de Doenças pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Passados 27 anos percebemos que demos alguns passos significativos e conquistamos alguns avanços graças à luta do movimento organizado LGBT — Lésbicas, Gays, Bisexuais, Travestis, Mulheres Transexuais e Homens Trans. Fomos pioneiros em oferecer medicamentos antirretrovirais para pessoas que vivem com HIV e os primeiros da América Latina a reconhecer a união civil de pessoas do mesmo sexo para fins de imigração e a liberar a adoção de crianças por casais homossexuais.

Há, especialmente em alguns governos municipais, a preocupação com a inclusão dessa parcela populacional na criação e implementação de políticas públicas. Por outro lado, o legislativo vem travando pautas importantes para o movimento, como é o caso da criminalização da homolesbotransfobia, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a possibilidade de retificação de documentos civis de pessoas travestis, mulheres transexuais e homens trans independentemente de processos judiciais e o aumento da oferta de cirurgias de transgenitalização, que é uma demanda extremamente reprimida no Sistema Único de Saúde (SUS).

Em que pesem pequenos avanços em algumas cidades, o Brasil ainda é o país que mais mata travestis, mulheres transexuais e homens trans no mundo. De acordo com dados divulgados em novembro de 2016 pela ONG Transgender Europe, das 295 mortes de transexuais registradas até setembro de 2016 em 33 países, 123 ocorreram no Brasil.

O mesmo relatório mostra que, de janeiro de 2008 a setembro de 2016, foram registradas 2.264 mortes de transexuais e transgêneros em 68 países. Nos oito anos cobertos pela pesquisa, o Brasil foi responsável por 900 desses casos, o maior número absoluto da lista.

Há uma grande subnotificação dos casos de homofobia, já que, salvo raras exceções, não há campos específicos para preenchimento de boletins de ocorrência acerca da orientação sexual ou identidade de gênero das vítimas que acabam sendo contabilizadas como pessoas cisgênero e heterossexuais.

A violência contra a população LGBT reflete a cultura machista extremamente presente na sociedade brasileira, ainda mais com o crescimento cada vez maior de alas evangélicas conservadoras e intolerantes que incentivam a prática discriminatória contra a população LGBT.

Assim, hoje continua sendo dia de luta para toda a população LGBT e para todos aqueles que acreditam e lutam por uma sociedade mais justa e solidária. Só a luta te garante!

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