A austeridade mata

A Carta Capital trouxe em um artigo a conclusão de um estudo que é até meio óbvio, se a gente parar pra pensar: a austeridade fere e mata. Ou seja, quando se cortam recursos de políticas de proteção social, as pessoas ficam mais vulneráveis, levando inclusive a consequências extremas.

“As recessões podem causar danos, mas a austeridade mata”, dizem os pesquisadores David Stuckler, especialista em economia da saúde e pesquisador da Universidade de Oxford, na Inglaterra, e Sanjay Basu, professor de medicina e epidemiologista da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, no livro The Body Economic.

Eles criticam o fato de o debate econômico depois de grandes crises ser focado apenas no PIB e não no bem-estar das pessoas. Segundo os autores, o aumento dos índices de depressão, suicídio, alcoolismo, epidemias, doenças infecciosas e problemas sanitários é considerado inevitável nas recessões.

E isso não é tão surpreendente. O total de desempregados subiu para 14,3 milhões no Brasil em março, um recorde histórico segundo o IBGE. Mas, muito mais que um número, são 14,3 milhões de pessoas que não conseguem sustentar a família, que enfrentam dificuldades às vezes maiores do que parecem conseguir suportar.

O momento de crise econômica é justamente quando as pessoas ficam mais vulneráveis. E é exatamente quando o governo tem que assumir o papel de protegê-las, o que significa aumentar os investimentos em políticas sociais.

A saúde pública é menos abalada pela recessão em si do que pelos cortes radicais de gastos públicos, porque eles destroem a rede de proteção social dos cidadãos, que já estão fragilizados em uma economia em crise.

O texto, assinado por Carlos Drummond, fala de como as políticas de austeridade afetam a população em qualquer lugar do mundo, mas traz o debate também para o Brasil. “A redução do seguro-desemprego, a diminuição dos recursos para habitação popular e saúde, o ataque à Previdência Social e à legislação trabalhista, ao lado da privatização e desnacionalização desenfreadas, por certo comprometerão o futuro de gerações.”

O cancelamento de 1,12 milhão de benefícios do Bolsa Família, feito pelo governo Temer em dezembro de 2016, é um dos exemplos de políticas de austeridade que afetam diretamente a vida das pessoas mais vulneráveis no país. O Bolsa Família garante uma condição mínima de dignidade a pessoas – homens, mulheres, crianças, idosos – que não têm praticamente nada.

“As decisões quanto à condução da economia, concluem Stuckler e Basu, não envolvem só taxas de crescimento e déficits orçamentários, mas são também uma questão de vida ou morte”, conclui o texto.

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