Reforma trabalhista reduziu salários e precarizou trabalho na Espanha. Acha que vai ser diferente aqui?

 

 

A reforma trabalhista, que foi sancionada sem vetos por Temer, foi inspirada nas mudanças realizadas na Espanha, em 2012. As mudanças nas regras para contratar e demitir trabalhadores (umas das várias que o país vem promovendo desde a década de 1980 com o objetivo de reduzir o desemprego) até criou algumas vagas de trabalho, mas os salários ficaram menores, as condições de trabalho pioraram e houve aumento da desigualdade. Embora a Espanha seja um país bem diferente do Brasil, não há razões para acreditar que o resultado da reforma será diferente por aqui.

A primeira reação do empresariado espanhol, assim que a medida entrou em vigor, foi dispensar os trabalhadores em larga escala. Com a redução dos custos para demitir, o desemprego no país chegou a 27%. Sim, os empresários se aproveitaram da queda do valor das indenizações pagas a trabalhadores demitidos e fizeram a festa. Outro benefício concedido aos patrões foi a possibilidade de demissão em massa, mesmo quando as empresas não estiverem enfrentando dificuldades econômicas.

O desemprego aumentou, mas algum tempo depois novas vagas foram aparecendo, trabalho precarizado, vale lembrar. Segundo o jornal El País “com a reativação da economia, o número de postos de trabalho começou a aumentar já no terceiro mês de crescimento”. Só que o resultado líquido de todo esse processo de demissão e contratação foi a criação de apenas 300 mil postos de trabalho, número pequeno mesmo para uma população como a da Espanha, que é de menos de 47 milhões (dado de 2016). Sem contar que o trabalho temporário representava, no ano passado, 34% das vagas, ocupadas principalmente por jovens, mulheres e profissionais menos qualificados.

Outra alteração promovida pela reforma trabalhista espanhola foi o aumento da dificuldade para o acesso aos benefícios para desempregados, além da redução dos valores pagos.

Esta situação fez com que a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que havia defendido a reforma, fizesse um alerta em recente relatório sobre a Espanha, vinculando, parcialmente, a precariedade no trabalho ao aumento da pobreza e à desigualdade no país. Até o FMI, que também apoiou as mudanças, reconheceu a questão dos baixos salários e da precariedade do emprego.

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